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Vida Social - Da negação da responsabilidade




Eu não pretendo ensinar ou explicar nada sobre as relações sociais e seus problemas, pois para isso seria necessário que conhecesse e entendesse tudo isso muitíssimo bem. Porém isso é muito difícil, porque em complexidade o assunto não perde em nada para física quântica. 

Simplesmente quero mostrar uma ideia e abrir debate. Uma das ideias que gosto de discorrer é sobre aquelas frases clichês e o que está implícito nelas.

Por exemplo, muitas vezes eu já escutei (e com certeza você também) essa frase: " A sociedade é cruel/desumana/castradora/egoísta...". Mas normalmente quem fala isso não percebe o que está dizendo entre as linhas "A sociedade é cruel, a culpada de tudo. Eu sou impotente". Ou seja, não se liga  que todos nós somos a sociedade e que cada um é parte integrante dela, não se isentado da culpa do que ela faz ou deixa de fazer.

Outra frase muito interessante e extremamente comum é: "Essa juventude está perdida". Poderíamos responder (como se quem a proferiu fosse realmente escutar...) "Tanto quanto a sua estava!". Ora, eles escutaram tanto quanto nós (até mesmo mais) essa mesma afirmação. Afinal uma nova realidade é estranha às gerações mais antigas e elas não querem perder o controle  sobre seus filhos e outras pessoas no geral, portanto sempre é melhor continuar como estava: numa situação conhecida e sobre a qual eles tinham (ou achavam que tinham) total conhecimento e controle.

Outra coisa implícita nessa frase é novamente a vontade de culpar alguém por tudo. Dizer que a juventude está perdida é uma maneira de não assumir a culpa, pois a causa de tudo seria a juventude rebelde, violenta, desregrada. Não de uma geração adulta e madura que na verdade tem tanto ou mais culpa que a gente já que está em plena atividade (votam, trabalham, teoricamente tem um nível intelectual mais alto, são independentes...).

Outras frases legais são: "No meu tempo era melhor" e "Eu amo o artista fulano de tal". As duas podem não parecer, mas, na minha opinião, revelam coisas bem parecidas: A escolha da solução mais fácil. 

Se é preciso ter fascínio por alguém,  é melhor que seja alguém que não pode lhe desprezar ou iludir, afinal está muito distante de você para isso. Se é para recordar, que seja de um passado distante e moldado conforme a conveniência, pois já que está morto, não pode causar futuras decisões, nem influir na sua vida atual. Além do mais você pode se lembrar só da parte boa, alegando sobre quaisquer acontecimentos negativos que esqueceu. Afinal, faz tanto tempo, não é?

Poderia citar bilhões de frase como essas e realmente seria legal ver as contradições, coisas ridículas e ideias no mínimo bobas presentes nelas, mas aí vocês iriam se cansar ( Eu não. Eu não me canso de debater, conversar e escrever nunca!). Mas, o que todo mundo pode ver é que não precisa ser nenhum gênio para perceber essas coisas, basta pensar mais um pouco e ter mais atenção.  Não ficar preso só a sua rotina e ao seu universo, olhar para o universo dos outros também. Aliás, a viseira que faz com que vejamos só a nossa rotina, nossas pessoas e atividades conhecidas e costumeiras é uma das causas da falta de interesse social. Ops! já falei demais! A gente deixa o assunto para a próxima, ok?


O texto acima não é meu. Quero dizer, é, mas não é. Eu fiz esse texto, mas quando estava na quinta série (hoje sexto ano) e tinha 11 anos. O texto foi feito para um jornal do colégio, mas o projeto não foi para frente e ele nunca foi publicado. Achei que aquela garota ia querer ver seu texto publicado na íntegra e foi isso que fiz: não mudei nada. Inclusive a chamada para o próximo texto (rsrs). 

Mas o que importa mesmo é que concordo com ela em número, gênero e grau (só não tenho tanto entusiamos por debater, conversar e escrever, rsrs). "Eles", os adultos, o que no caso quer dizer nós, sempre encontram um jeito de colocar a culpa em alguém. Assim como encontramos formas criativas de nos iludir e nos distanciar do hoje e dos outros.

E aí ? O que você acha? Também concorda com a garota?



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