Eu tenho uma mãe que gosta de acumular coisas. É, que gosta de acumular livros, papeis, roupas, vasilhas de plástico, imagens de santos, lembrancinhas de festas e viagens e várias outras coisas. Por um tempo eu também acumulei, principalmente papel: provas da escola, recadinhos que eu recebi, canhotos de ingresso. Também estava começando a ter certo apego às roupas.
| A minha pilha ainda não estava assim, mas a da minha mãe... |
Aí comecei a perceber o trabalho que dava para limpar tudo isso, arrumar tudo isso. Em relação às roupas eu também percebi que eu não usava muitas delas, e pior, quando eu usava algumas elas estavam horríveis. Estavam velhas, eram mal-cortadas, ou não combinavam comigo. Quanto aos papeis, eu percebi que o que realmente importava eram as lembranças e não a prova física de que elas aconteceram. Eu também não queria chegar no nível que a minha mãe tinha chegado, não queria aquela bagunça e confusão na minha casa, na minha vida.
Não foi nada fácil mudar esse padrão que eu tinha. Eu guardava um baú de papel, mais quatro ou cinco pastas e tudo parecia importante para mim, por valor sentimental ou porque poderia ser útil no futuro. As roupas a mesma coisa. Eu poderia precisar daquela peça.
Mas aí eu comecei a pesar realmente o valor de manter (qual a última vez que usei aquele papel de referência, qual a última vez que usei aquela roupa e qual a probabilidade de que viesse a usar) e o custo de manter (o tempo de limpar, o espaço para guardar, a dificuldade em encontrar a roupa, o mico de usar um roupa que não combina nada comigo). E então comecei a me desfazer devagar.
Para os papeis eu comecei jogando fora todos os papeis da graduação. Eu já estava fazendo mestrado e nunca tinha usado aquele meu "acervo". Toda vez que eu precisava de algum dado eu ia em um livro ou na internet. Não tinha para que guardar todas aquelas apostilas. Depois eu abri o meu baú de "lembranças" e olhei uma por uma. as coisas que eu guardava, mas não sabia exatamente porquê caíram fora. Depois de um tempo eu dei um próximo passo: definir um espaço menor para guardar as lembranças. Quando fiz isso tive que definir o que era mais importante para mim daqueles papeis, e o que eu conseguia me desfazer. E depois diminuí o espaço e mais um pouco e hoje eu cheguei no tamanho que considero adequado para o meu ritmo de vida, espaço e minha vontade de guardar algumas memórias em papel.
![]() |
| Essa é a minha caixa de lembranças hoje. para que tinha um baú, tá ótimo! |
Em relação às roupas, o peso emocional foi muito menor. Entretanto o processo foi mais confuso. O primeiro passo foi tentar jogar fora o que tava rasgado e velho, mas a complicação já começou por aí: o que está velho suficiente? Tá isso é velho, mas o que eu faço, reutilizo, doo, jogo no lixo?
E essa foi a parte fácil. O que combina comigo? O que tem haver comigo? São perguntas que eu continuo a fazer cada vez que vou fazer uma revisão no meu armário. A minha mudança para Brasília ajudou. Afinal eu tinha um limite de roupas que poderia trazer: o que cabia na mala e na minha mochila. Mas eu vima para Brasília para começar o meu primeiro trabalho e isso não ajudou. Afinal eu não sabia que roupa se usava na empresa e qual o grau de formalidade. Muito menos como era o "eu" profissional.
Ao longo do primeiro ano de trabalho acabei doando muita roupa. E acabei comprando muita roupa que acabou indo para doação dois meses depois de comprada. Além do trabalho de cuidar e escolher, a questão do consumismo ficava na minha cabeça: eu preciso comprar tanto, eu preciso de tudo isso? Eu me sentia culpada. Hoje posso dizer que compro bem menos, o processo de auto-conhecimento ainda não acabou, mas estou começando a encontrar o equilíbrio (faz três meses que não compro roupa, e só comprei um casaquinho! rsrsr).
![]() |
| Nosso "guarda roupa" Da para ver que eu roubo umas duas prateleiras do armário de "coisas do escritório" para os meus sapatos, |
Acima está a foto do guarda roupa que eu divido com meu namorado hoje. Dá para sentir que eu já tenho bem menos coisas. Mas mesmo assim eu não estou satisfeita, ainda sinto que tenho muita roupa que eu uso, ou que eu poderia usar melhor. e que também ainda faltam àquelas peças, com a minha cara.
Sei que essas questões não só minhas por isso quis compartilhar um pouco da minha saga com vocês.
Ah! Sobre a minha mãe, ela ainda guarda muito, mas está melhor. Quem sabe logo logo não é o armário dela que eu mostro?
E aí como anda o armário de vocês?


Comentários
Postar um comentário
Oi quer deixar uma recado? Escreve aqui!