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Meu método de organização - Parte I - Introdução


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Acredite, eu sempre tentei ser uma pessoa organizada. Qual criança de 8 anos pede para o Papai Noel uma agenda executiva? Eu!!

A minha família se mudava muito e a nossa casa sempre foi meio bagunçada, meus pais trabalhavam muito e três crianças e  alguns gatos não ajudavam. De certa forma eu sempre me senti vivendo mais em um acampamento que em um lar. E talvez por isso, desde muito pequena, eu tentei criar rotinas para seguir. Rotinas que invariavelmente davam errado em menos de uma semana. Não sei se porque eu não conseguia manter a disciplina (era o que achava), ou se porque tinha muios fatores externos que eu não poderia controlar (afinal eu era só uma criança, como poderia criar uma rotina só minha ?).

O que importa é que a organização, do tempo e do espaço, sempre ficou martelando na minha cabeça. Quanto ao espaço até que caminhou um pouco. Diminuir a quantidade de coisas ajudou (vide post anterior, só que para tudo não só para roupas e papeis),  usar caixas etiquetadas para separar as coisas também, assim como separar os papeis e as contas em pastas por tema. Não é perfeito, mas tá longe de ser um caos.

Agora quanto ao tempo...Esse eu não conseguia domar de jeito nenhum. Organizar as tarefas que eu tinha, separar um tempo para estudar, sempre foi uma bagunça e eu sempre me sentia um fracasso por isso. Eu tentei vários métodos, perdi a conta das agendas que eu comprei, e dos tipos de agenda também. Sempre sentindo que agora ia ser diferente, que eu precisava me esforçar mais.

Na faculdade isso ficou pior: eu não estudava certo! Eu via meus colegas estudando quietos, lendo pedaços de livros e apostilas, levando o livro para cima e para baixo para ler na Universidade, passando horas e horas na Biblioteca e eu tentava, tentava, mas eu não conseguia ser assim! Eu não conseguia estudar como eles faziam! Mas eu me esforçava. 

E me sentia um fracasso de novo, indisciplinada, sem me esforçar o suficiente, um desastre. E isso durou praticamente toda a graduação.

Quando eu me formei (finalmente!)  e comecei a me preparar para o mestrado as coisa começaram a mudar. Faltavam seis meses para seleção e eu perguntei ao professor que seria meu futuro orientador: "O que eu faço para passar na prova de seleção?" e ele respondeu "Leia o Begon (Ecologia - de Indivíduos a Ecossistemas - Michael Begon, John L. Harper, Colin R. Townsend)".

E o que eu fiz? Comprei o Begon! (rsrsrs). Mas não só comprei, passei os próximos seis meses acordando, tomando café, tomando banho e lendo o Begon na minha cama, parando apenas para almoçar jantar e dormir. Durante as refeições eu socializava com minha família (e namorado), e as vezes a noite depois do jantar eu não voltava para estudar e via um pouco de TV ou ficava batendo papo.

No fim eu passei na seleção, mas o principal que eu aprendi com a experiência não teve a ver com ecologia. Eu percebi que eu gostei de estudar o begon, mas que em momento algum eu usei aquela escrivaninha linda e toda arrumada para estudar, eu preferi ficar esparramada na minha cama, apoiando begon em um travesseiro. Percebi que invés de ir a biblioteca, as vezes para me motivar e concentrar, eu precisava ouvir música, ou ligar a TV! E isso não atrapalhava! Percebi que eu não tava nem um pouco a fim de ir atrás de provas anteriores do programa da pós ou de apostilas, ou mesmo de entrar em um chat para discutir sobre os estudos e as provas com outros candidatos. Eu queria só ler meu livro em paz e tava bom para mim.

E sabe de uma coisa? Tudo isso, por mais louco que pareça, funcionou! Eu passei em primeiro lugar na prova, eu tirei 10 na avaliação. E percebi que não tinha que seguir o método de ninguém, que isso só me fazia mal, me botava para baixo. Que não existe o jeito certo de estudar ou se organizar, tem o jeito que funciona para mim e pronto. Nada de ficar se culpando porque não estou fazendo do jeito "certo", do jeito que todo mundo faz ou que é recomendado pelos livros. EU tenho o meu jeito e é desse jeito que eu sei render.

Isso não diminui minha vontade de conhecer sobre métodos de organização ou de entender como outras pessoas se organizam, só me liberou, só me fez entender que não TENHO que seguir aqueles métodos, que não PRECISO utilizar aqueles conceitos e ferramentas. Me fez entender que posso conhecer vários métodos, mas posso escolher que ferramentas testar. E se essas ferramentas de organização não funcionarem é por que ELAS não se encaixam na MINHA vida, não tem nada de errado comigo. EU vou encontrar métodos que funcionem e vou continuar fazendo as minhas coisas e vivendo minha vida.

No próximo post eu vou começar a falar desses métodos que funcionam comigo agora e o que eles mudaram na minha vida (e na minha sanidade mental).

E você, como é o seu histórico com a palavra "organização"? Você é neurótico, tranquilo, um organizado nato, ou não tá nem aí pra essa conversa?

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